LICENCIADOS DE CALL CENTER


No call center somos pássaros sem asas. Do outo lado da linha chamam-nos “incompetentes”, “ladrões” e “ordinários”. Ouvimos e calamos.

“Olá, boa tarde. O meu nome é Mónica. Estou a falar com”? A frase é repetitiva e pronunciada dezenas de vezes ao dia. Chega a cansar. Por vezes falha-nos a voz. Respiramos fundo e prosseguimos.

Cheguei em outubro ao call center. Contrariada é certo, com a certeza de que iria ficar apenas até ao Natal. Centenas de assistentes sentados em frente a um ecrã, robôs que dão a voz em nome de uma operadora que lhes dá um contrato de trabalho temporário. Apenas números que entram e saem enquanto as ambições e os sonhos ficam em fila de espera do outro lado da rua. A maioria jovens e licenciados, tal como eu. Nunca tive medo de trabalhar mas jamais me imaginaria a desbobinar informação durante cinco horas com quinze minutos de intervalo contabilizados ao segundo por um programa informático. “Excedeste a tua pausa”, ouvi várias vezes. Quando fiquei depois da hora a aguentar os clientes queixosos ninguém deu por isso.

Uma das coisas de que facilmente me apercebi sobre as pessoas que trabalham num call center é que vão ganhando tiques vocais. “Efetivamente” e “meramente” são apenas exemplos. Acho que já ninguém se apercebe. Ali as palavras são instantâneas e não há poemas que nos valham para acalmar os predadores que nos ligam.

No reino dos call centers as senhoras passam a “senhoras donas”, os auscultadores são “headsets” e o tempo estimado de uma chamada não deve ser superior a cinco minutos. “Ameaçaram que me despediam se não subisse os valores”, contou-me uma colega de sala. Não admira. Como ela uns tantos se foram enquanto a empresa abriu vagas para uma nova formação paga a pouco mais de cem euros, num mês em que metade do tempo os aprendizes já dão conta de uma parte das chamadas recebidas.

No call center somos pássaros sem asas. Do outo lado da linha chamam-nos “incompetentes”, “ladrões” e “ordinários”. Ouvimos e calamos. Não devemos responder. Alguns desabafam histórias de vida complicadas. Outros reclamam, berram, insultam sem escrúpulos, humilham.

Fiquei nove meses no call center. Fui várias vezes chamada à atenção: ou porque tinha um TMA (tempo médio de atendimento) muito alto, ou porque estava muitas vezes de braço no ar e ralava os supervisores. Comovi-me com algumas palavras, enervei-me com outras e fiquei orgulhosa de fazer a diferença no dia de alguém. Afinal somos todos pessoas.

Despedi-me. Finalmente posso voar.

Fonte: logohttp://capazes.pt/cronicas/licenciados-de-call-center/view-all/

 

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Defensor dos Direitos Humanos dos quais um deles é o direito do trabalho, melhorar apenas um dos 30 direitos humanos já fará com que muitos dos restantes também sejam melhorados. Cidadania, Igualdade e Urbanidade para todos nós! Se temos deveres também temos direitos. Usufrui e partilha o tás logado com o Mundo! Faz chegar mais longe o poder da tua Voz! loga-te a nós! Sindicato dos Trabalhadores de Call Center http://www.stcc.pt/ https://taslogado.wordpress.com/

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