Queixa anónima de trabalhador da Teleperformance na ACT (Autoridade para as Condições de Trabalho)


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Queixa anónima de trabalhador da Teleperformance na ACT (Autoridade para as Condições de Trabalho)

O call-center da Teleperformance da Estefânia, na morada acima referida apresenta diversos problemas se saúde e segurança no Trabalho.

Neste local trabalham para cima de 200 pessoas entre os vários turnos (não tenho números certos, baseio-me na observação e conversas com colegas). Apesar do espaço ser relativamente amplo é baixo e mal arejado, fica numa cave, e os operadores estão distribuídos em equipes, em espaços por vezes fechados, acabando por ficar muito próximos uns dos outros.

A falta de condições para tanta gente junta é um dos problemas. Devido a isso e à falta de arejamento a temperatura torna-se elevada o que obriga a que estejam sempre ligados muitos ares condicionados, sempre muito fortes (e frios) para poder baixar a temperatura geral. Como a maior parte não está devidamente protegida (alguns tem placas que pelo menos impedem que os operadores levem com o frio directamente nas costas) muitos colegas sofrem com o frio dos ares condicionados. Outros mais afastados sofrem com o calor geral. Para uns poderem ter menos frio os outros, nos locais menos arejados, tem calor. O calor gera pulgas, sobretudo no verão, que se juntam sobretudo nos recantos mais quentes. Como o callcenter é numa cave com algumas janelas ao nível da rua é fácil as pulgas entrarem. Nos meses de mais calor fui várias vezes picado e outros colegas queixam-se do mesmo.

Por outro lado os ares condicionados parecem ser limpos poucas vezes. Quando os limpam é durante o horário de trabalho, muito à pressa, muitas vezes directamente para cima dos operadores que estão a trabalhar. A limpeza resume-se a tirar o filtro exterior e borrifa-lo, assim com a parte de dentro, com um produto que trazem numa botija. Obviamente quase todos temos a dadas alturas comichões e irritações na garganta, num trabalho que já é desgastante para as cordas vocais, devido ao pó e no inverno às gripes que se espalham. É normal durante o trabalho, enquanto falamos com clientes, termos de parar para tossir. O chão é de uma espécie de alcatifa que parece preparada para não soltar pó, mas atrai todo o tipo de sujidade e que se acumulam em algumas partes do call-center onde trabalhamos e que nunca (ou muito raramente) são limpas. As divisões entre trabalhadores (entre os vários postos) estão cobertas por uma espécie de tecido tipo alcatifa que solta pó e atrai sujidade e que nunca é limpo. Em alguns sítios a sujidade é tanta que em vez de estar azul está a amarelado e fica viscoso nos dias mais húmidos. Muitos de nós para após algumas horas mantermos uma boa postura e esticarmos as costas temos de nos apoiar nestas “baias” imundas.

Os materiais também não têm condições. Os postos não são limpos diariamente (por vezes chegamos e estão lá os apontamentos, ou os copos de água e de café vazios da noite anterior). Cabe aos operadores limparem os postos e para isso na entrada há uns paninhos húmidos. Apesar de limparem não acredito que desinfectem verdadeiramente os espaço além de que cada operador só limpa um pouco e não a sério, dado que tem de começar a trabalhar. Os panos servem também para limpar os headsets, que são outro problema. Os headsets estão contacto com as nossas bocas e ouvidos pelo que dificilmente ficam desinfectados com paninhos húmidos. Os headsets são partilhados e de manhã quando chegamos temos de ir buscá-los a uma caixa onde estão amontoados. Os headsets não têm as esponjas que protegem as orelhas. Soube recentemente que tenho o direito (!!!) a essas esponjas se as fôr comprar a três euros ao atendimento, além do ridículo da situação não somos avisados pelos supervisores, eu só depois de um ano soube porque uma colega me disse, até porque 99% dos operadores não usam as esponjas. Os headsets (mesmo com esponja) acabam a causar dores nas cartilagens das orelhas e no interior das orelhas. Como são partilhados (muitas vezes passamo-los directamente aos colegas que entram na nossa hora de saída) facilmente se propagam doenças. Como estão todos amontoados e ainda por cima são poucos (às vezes faltam) estragam-se e somos obrigados a gritar para sermos ouvidos ou mal conseguimos ouvir os clientes, o que além de causar um grande ruído prejudica o trabalho e depois somos penalizados.

As cadeiras são outro problema, porque muitas delas estão partidas e não se conseguem fixar numa posição recta o que tende a levar-nos a más posições ou a cansar as costas e ficar com dores para poder estar direitos.

Fizemos recentemente um “exame médico” de 15 minutos. Falei de alguns destes assuntos ao médico mas obviamente não serviu de nada. O médico limitou-se a fazer-nos algumas perguntas (se víamos bem, se ouvíamos bem…) e medir-nos a tensão.

Pior de tudo, não existe, ou não está activo Serviço de Segurança e Saúde no Trabalho, ou se existe os operadores nunca foram informados e nunca foram (que eu saiba) contactados por esse serviço nem é sabido por ninguém qualquer representante dos operadores ou trabalhadores no serviço como diz na lei, que refere também a que a inexistência deste serviço é uma contra-ordenação muito grave.

Alguns dos operadores deste local estão a ser transferidos para o callcenter da TP na Infante Santo, que supostamente terá melhores condições, mas todos conhecemos lá colegas (alguns que já trabalharam lá ou outros que já lá estão) e aí já foi avistado um rato, há os mesmos problemas com os ares condicionados e vários colegas têm problemas respiratórios e de garganta, um deles queixou-se que houve uma fumigação na sala onde trabalha enquanto ele e outros colegas estavam a trabalhar!

Já não entro aqui nos problemas de saúde psicológica causada pela instabilidade e medo do despedimentos, pela pressão das chefias e pelo desgaste do próprio trabalho de lidar com centenas de chamadas por dia, às vezes num ritmo muito elevado em que não é sequer possível beber um gole de água entre duas chamadas.

Outro dos principais problemas, uma verdadeira ilegalidade, prende-se com os contratos e o sistema de contratação, mas como não se trata de um problema de segurança e saúde no trabalho, enviarei noutra denúncia já de seguida.

Enviei antes uma denúncia sobre as condições de saúde e segurança na Teleperformance, em especial no callcenter da Estefânia, cuja rua envio acima. Por ser uma questão diferente envio esta segunda denúncia separadamente.

Trata-se da forma aparentemente irregular como somos contratados ou pelo menos sobre a falta de informação e acesso às entidades empregadoras. Na Teleperformance só algumas chefias, supervisores (e não todos) e os que estão acima deles têm contratos com a empresa Teleperformance, contratos sem termo. Os outros operadores têm contratos com uma de duas empresas, ou a myseguros ou, a maioria, com a Emprecede. No caso da myseguros é uma verdadeira empresa fantasma, a maior parte dos operadores que estão a vender algum tipo de seguro são contratados por esta empresa. Esta empresa não tem sede, nunca conhecemos nenhuma pessoa que representasse esta empresa. A morada da mysegurps é a mesma que a da Teleperformance, ou seja, o local onde trabalhamos. Só conhecemos a myseguros dos contratos dos recibos de vencimento, que vem em nome desta empresa com o seu número de contribuinte. Somos contratados primeiro por 6 meses e depois por 10 por esta empresa que não conhecemos. Não sei como funcionam as restantes renovações mas há colegas que já trabalham ali há tempo suficiente para serem efectivos (2, 3 ou mais anos) e continuam com um contrato a termo com a myseguros. Outros colegas, da maioria das campanhas neste e noutros callcenters é contratado pela emprecede. Nestes casos os contratos são a termo mas renováveis semanal, quinzenal ou mensalmente por 6 ou 10 meses. Expirado este prazo não há renovação, mas em muitos casos limitam-se a mandar o operador para casa alguns dias e contratam-no de novo com um contrato igual. A emprecede apresenta-se no seu site como uma empresa de trabalho temporário e que trabalha em Lisboa, Setúbal e Covilhã, ou seja onde existem callcenters da Teleprformance. Aparentemente a emprecede só trabalha para a Teleperformance. Na internat e nos contratos a morada da emprecede é um apartardo. Ou seja é impossível os trabalhadores dirigiram-se à empresa. Enquanto os trabalhadores contratados pela myseguros tem acesso aos seus contratos,até porque a sede da suposta empresa é no seu local de trabalho, os da emprecede encontram várias resistências para ter acesso aos seus contratos, provavelmente porque estão algures…. Quando é que um trabalhador da Teleperformance contratado através da emprecede fica a saber onde é a empresa para a qual supostamente trabalha? Quando é despedido. Aí sim, recebe uma carta com a morada Rua Reserva Natural das Ilhas Selvagens, nº4, num aldeamento turístico na Fonte da Telha. Nessa morada existe uma vivenda, aparentemente habitada, sem nenhuma referência à emprecede. Segundo os vizinhos é uma casa residencial. A vivenda tem muros altos, arame farpado e câmaras de vigilância mas não parece estar habitada em permanência nem tem um horário de atendimento (já que supostamente é uma empresa).

Além destas irregularidades não se pode dizer que estas supostas empresas façam um bom trabalho. Há erros regularmente nos pagamentos, dias que não são contados, esquecimentos nos pagamentos dos subsídios de alguns colegas, etc. O que nunca aconteceu foi pagarem a mais a alguém. Além disso há praticas muito estranhas, possivelmente ilegais. As faltas com atestado médico, se forem mais que um dia seguido, são consideradas injustificadas e dão direito à perda do prémio de assiduidade. Se for dada uma falta justificada o prémio é pago só três meses depois se o trabalhador não der mais faltas entretanto e, obviamente se não for despedido entretanto.

Esta situação, além de falso trabalho temporário configura com certeza uma série de irregularidades e que seria necessária que as confirmassem e que visitassem as empresas em causa, Teleperformance e myseguros, que são a mesma, e a emprecede na Fonte da Telha.

táslogado

Sindicato dos Trabalhadores de Call Center

A Brincadeira acabou, o tás logado já chegou!

STCC
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A União dos Trabalhadores
extermina os Prevaricadoras
UNIDOS SOMOS MUITO MAIS FORTES.

Publicado por

Danilo tás logado?

Defensor dos Direitos Humanos dos quais um deles é o direito do trabalho, melhorar apenas um dos 30 direitos humanos já fará com que muitos dos restantes também sejam melhorados. Cidadania, Igualdade e Urbanidade para todos nós! Se temos deveres também temos direitos. Usufrui e partilha o tás logado com o Mundo! Faz chegar mais longe o poder da tua Voz! loga-te a nós! Sindicato dos Trabalhadores de Call Center http://www.stcc.pt/ https://taslogado.wordpress.com/

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